sexta-feira, 15 de junho de 2012

Superando o medo




“Nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados. Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos demais. É nossa sabedoria, não nossa ignorância, o que mais nos apavora.
Perguntamo-nos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, belo, talentoso, fabuloso?’ Na verdade, por que você não seria? Você é um filho de Deus. Seu medo não serve ao mundo. Não há nada de iluminado em se diminuir para que outras pessoas não se sintam inseguras perto de você. Nascemos para expressar a glória de Deus que há em nós. Ela não está em apenas alguns de nós; está em todas as pessoas. E quando deixamos que essa nossa luz brilhe, inconscientemente permitimos que outras pessoas façam o mesmo. Quando nos libertamos de nosso medo, nossa presença automaticamente liberta as outras pessoas.”
(Nelson Mandela)


segunda-feira, 26 de março de 2012

Espiritualidade é não se conformar com as injustiças... (Tributo a Domitila Barrios de Chungara)

Si me dejan hablar:
morreu Domilita Barrios de Chungara


Nancy Cardoso Pereira/Sria de Educação do Rio Grande do Sul



Domilita Barrios de Chungara, que foi uma das mais importantes ativistas da Bolívia, faleceu no dia 7 de março em Cochabamba, na casa humilde em que viveu toda a sua vida. Domitila tinha 75 anos e morreu de câncer no pulmão. Ela foi a principal líder das donas de casa da mina de estanho Siglo XX que no final dos anos 70 fizeram uma greve de fome de dez dias e obrigaram a temida ditadura do general Hugo Banzer a voltar atrás e libertar quase uma centena de trabalhadores mineiros, presos por lutarem por melhores salários. Dessa luta surgiu o Comitê de Donas de Casa da Mina Siglo XX e projetou a figura de Domitila em todo o mundo. Desde então, cumpriu um papel de destaque nas lutas pelos direitos das mulheres e participou como representante das trabalhadoras na Tribuna do Ano Internacional da Mulher reunida no México em 1975. Liderava as mulheres das minas na luta pelo controle do abastecimento das chamadas “pulperías”, os armazéns nos quais os mineiros compravam os alimentos. Domitila também ficou conhecida por falar na poderosa rede de rádios mineiras, chamando os trabalhadores e trabalhadoras a lutar por uma vida digna e contra os temidos coronéis e generais que dominavam o país.
Domitila nasceu na mina Siglo XX e foi criada em Pulacayo, lugar que ficou conhecido porque aí, na Revolução de 1952, na Bolívia, ficaram conhecidas as importantes teses trotskistas que chamavam os trabalhadores a organizar um governo operário e camponês como única alternativa para salvar o país da destruição provocada pelo capitalismo e o imperialismo. Até hoje, as lutas dos homens e mulheres trabalhadoras da Bolívia e de toda a América Latina demonstram que as famosas Teses de Pulacayo guardam sua total atualidade. Em 2005 Domitila denunciou a burguesia como uma classe “brutal, mentirosa e ladrona” e chamou os pobres a fazerem uma revolução porque “as injustiças não vão durar para sempre”. Também nesse mesmo ano ela saudou a vitória de Evo Morales e do MAS, mas colocou em dúvida seu caráter “revolucionário”.
O livro de Moema Viezzer, “Si me dejan hablar”, é uma importante fonte para se conhecer melhor a vida e as idéias de Domitila. Como Moema “la dejó hablar”, Domitila “rasgou o verbo”. Aqui vão algumas de suas opiniões: “Cedo aprendi que ao trabalhador não dão nenhuma comodidade. Que se vire sozinho. E pronto. No meu caso, por exemplo, trabalha meu marido, trabalho eu, faço meus filhos trabalharem, assim somos vários trabalhando para manter a casa. E mesmo assim ainda dizem que as mulheres não fazem nada, porque não dão dinheiro em casa, que só o marido trabalha porque ele recebe um salário. Apesar de o Estado não reconhecer o trabalho que fazemos em casa, dele se beneficia o país e os governos, porque por esse trabalho não recebemos nenhum pagamento.
“Nós, mulheres, fomos criadas desde o berço com a idéia de que a mulher foi feita somente para a cozinha e para cuidar das crianças, que é incapaz de fazer tarefas importantes, e não se pode permitir que se meta em política. Mas a necessidade nos fez mudar de vida.
“Nossa posição não é igual a das feministas. A nossa libertação consiste primeiramente em conseguir que nosso país seja liberado para sempre da opressão das grandes potências capitalistas e que possamos formar um governo da classe trabalhadora, incluindo nós, mas mulheres. Aí então as leis, a educação, tudo será feito de acordo com as necessidades do povo trabalhador. Então, sim, vamos ter mais condições de chegar a uma liberação completa, também e nossa condição de mulheres”. (Si me dejan hablar…)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os que esperam no Senhor

"Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem como águia para os montes, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam." Isaías 40.31


Um paciente, internado por causa de anos de alcoolismo, passando a mão na região da barriga me disse: "Tenho um buraco enorme aqui que sempre tentei preencher, mas no dia seguinte lá estava ele, aberto e cada vez maior e insaciável."
Não basta afastar-se do que causa dependência, é preciso encontrar um alimento que seja capaz de preencher "esses buracos" existenciais e emocionais com novas e diferentes cores, sabores, prazeres e alegrias.


Só por hoje, lhe desejo a Paz e a Coragem necessárias para que consega o seu intento de se recuperar.

Só por hoje vou lembrar que sou feliz

Só Por Hoje


(Legião Urbana)

Só por hoje eu não quero mais chorar.
Só por hoje eu espero conseguir.
Aceitar o que passou o que virá.
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz.

Hoje já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer.
O mundo é radical.
Não sei onde estou indo.
Só sei que não estou perdido.
Aprendi a viver um dia de cada vez.

Só por hoje eu não vou me machucar.
Só por hoje eu não quero me esquecer.
Que há algumas pouco vinte quatro horas.
Quase joguei a minha vida inteira fora

Não não não não.
Viver é uma dádiva fatal!
No fim das contas ninguém sai vivo daqui mas -
Vamos com calma !

Só por hoje eu não quero mais chorar.
Só por hoje eu não vou me destruir.
Posso até ficar triste se eu quiser

É só por hoje, ao menos isso eu aprendi

quarta-feira, 16 de novembro de 2011



A mudança neste blog se deve aos pedidos feitos por pacientes da clínica feminina do CPR - Centro Paulista de Recuperação, que participam do Grupo de Espiritualidade que coordeno duas vezes por mês em tardes de sábado.


Elas queriam  continuar conversando sobre espiritualidade, também depois da alta, assim como fazem nossas reuniões. E assim nasceu a ideia de transformar esse blog num espaço de apoio para quem está começando o processo de alta - tempo de fazer novas escolhas, fechar algumas portas e abrir outras. 
Estar de alta após algum tempo (curto ou longo) de internação, é nunca estar de alta, é sempre vigiar para não recair e orar pedindo a proteção e sustentação do Criador quando a tarefa de viver fora da Clínica ficar pesada demais.

Só por hoje... funciona.

domingo, 11 de setembro de 2011

Ele dorme em nosso barco

Afasto-me da janela. Acendo uma vela para espantar a escuridão da sala. De repente, sinto dor, tanta dor que já nem sei se é no corpo, n’alma ou se é medo de não ser. Escorro pelas paredes como um relógio de Salvador Dalí. Sinto-me líquida, sem forças para abrir a janela e respirar o ar lá de fora – promessa do vento, que vejo lamber as árvores. Ah! É-me pesado demais respirar. A dor é faca afiada que entra na carne e lá se revolve estraçalhando, abrindo sulcos como o torno que gira em minha cabeça. Nesses momentos, e só nesses momentos, consigo concordar com Schopenhauer, filósofo alemão, que disse que a vida se resume na tristeza. Na maior parte do tempo, acredito que o sofrimento é necessário, mas a alegria é revolucionária e nos liberta. Isto é Nietzsche, outro filósofo. A tristeza debilita nossa alma, mas também nos leva para um poço profundo dentro de nós. Enquanto caímos, vamos perdendo nossas forças para redescobri-las lá no fundo. Precisamos nos esvaziar daquilo que julgávamos que nos pertencia, nossas forças, nossos amores, nossas alegrias, nossas perdas. Parece um contrassenso encontrar as forças em nossa mais dolorida fraqueza. Mas é lá, no mais profundo de nosso poço interior, que descobrimos que há um recomeço possível. Há um mistério que nos liga com algo que transcende a nossa própria vida, com aquilo que não conhecemos e não chegaremos a conhecer, justamente porque é mistério. Quando descobrimos esse fio de ligação com o sagrado, somos salvos de nossa própria arrogância. Lembro do desespero dos discípulos de Jesus que não conseguem
se conter diante do pânico dentro de um barco que parece querer virar, assolado pelos ventos de uma tempestade em alto mar. São tomados de uma profunda decepção e tristeza ao perceberem que seu mestre dorme sobre a almofada do timoneiro na proa (Lucas 8.22-25). Como disse Tereza de Ávila: “Se ele dorme em nosso barco, porque ter medo?”. Que possamos (tentar) enterrar as tristezas, as sombras e os medos e ir atrás da alegria perdida, porque também o Mestre espantou as tempestades,
acalmou o mar. Ele dorme em nosso barco, por que então o desespero com a tempestade?
(Vera Cristina Weissheimer do livro "Escolhas")















"Não arraste as suas asas,
elas foram feitas para o voo."
(Vera Cristina Weissheimer)