“Talvez a fé, a esperança e o amor não resolvam tudo e nem todos os nossos problemas.
Mas a vida sempre terá valido mais a pena se tivermos tido a sabedoria de ter fé e esperança e a coragem de amar.” (Vera Cristina Weissheimer)
“O Perfume”, um romance do escritor Patrick Süskind, conta a vida de Jean-Baptiste, que nasce num mau-cheiroso mercado de peixes e cresce tendo um olfato extraordinariamente apurado, mas ele mesmo não possui cheiro próprio. Por causa de seu estranho dom decidiu guardar cheiros de todas as espécies. Acabou por tornar-se perfumista desejando criar o perfume Absoluto. Não contarei o enredo todo por que vai perder a graça. Mas tenho pensado sobre a necessidade de termos, talvez não o Perfume Absoluto, mas mais perfume do que mau-cheiro em nossos dias. Não é só o mau cheiro do Rio Tietê ou do Pinheiros que me faz pensar em perfumar a cidade. Há odores muito mais estranhos que estão corrompendo vidas: a falta de gentileza, de educação, de consideração, de atenção. A falta de amor e de perdão. Esses são fedores que corrompem e adoecem a humanidade. Mas a GENTILEZA pode aproximar, o PERDÃO pode curar e o AMOR pode salvar. Que Deus que é AMOR possa transformar mentes, corações, instituições e relações para vivermos tempos mais gentis.
Sugestão de oração:
Tu que és Amor, toca corações e mentes para que relações possam ser transformadas, que o mau cheiro do mundo possa dar lugar a perfumes como perdão, gentileza, amor, presença, carinho, confiança... capacita-nos a sermos verdadeiramente irmãos e irmãs, onde um novo perfume possa se fazer sentir. Amém
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Voto de bênção
“O Senhor esteja ao teu lado como teu grande amigo e companheiro de jornada;
O Senhor esteja acima de ti, velando por ti e te abençoando;
O Senhor esteja abaixo de ti, calçando os teus pés, firmando os teus passos;
O Senhor esteja às tuas costas, guardando-te completamente de pessoas desleais;
O Senhor esteja à tua frente, como luz que ilumina a tua caminhada;
O Senhor esteja dentro de ti, dando-te força, coragem, fé e vontade de viver;
O Senhor esteja ao teu redor, envolvendo-te completamente com o seu amor.”
“O Senhor esteja ao teu lado como teu grande amigo e companheiro de jornada;
O Senhor esteja acima de ti, velando por ti e te abençoando;
O Senhor esteja abaixo de ti, calçando os teus pés, firmando os teus passos;
O Senhor esteja às tuas costas, guardando-te completamente de pessoas desleais;
O Senhor esteja à tua frente, como luz que ilumina a tua caminhada;
O Senhor esteja dentro de ti, dando-te força, coragem, fé e vontade de viver;
O Senhor esteja ao teu redor, envolvendo-te completamente com o seu amor.”
Superando o medo
“Nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados. Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos demais. É nossa sabedoria, não nossa ignorância, o que mais nos apavora.
Perguntamo-nos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, belo, talentoso, fabuloso?’ Na verdade, por que você não seria? Você é um filho de Deus. Seu medo não serve ao mundo. Não há nada de iluminado em se diminuir para que outras pessoas não se sintam inseguras perto de você. Nascemos para expressar a glória de Deus que há em nós. Ela não está em apenas alguns de nós; está em todas as pessoas. E quando deixamos que essa nossa luz brilhe, inconscientemente permitimos que outras pessoas façam o mesmo. Quando nos libertamos de nosso medo, nossa presença automaticamente liberta as outras pessoas.”
(Nelson Mandela)
segunda-feira, 26 de março de 2012
Espiritualidade é não se conformar com as injustiças... (Tributo a Domitila Barrios de Chungara)
Si me dejan hablar:
morreu Domilita Barrios de Chungara
Nancy Cardoso Pereira/Sria de Educação do Rio Grande do Sul
Domilita Barrios de Chungara, que foi uma das mais importantes ativistas da Bolívia, faleceu no dia 7 de março em Cochabamba, na casa humilde em que viveu toda a sua vida. Domitila tinha 75 anos e morreu de câncer no pulmão. Ela foi a principal líder das donas de casa da mina de estanho Siglo XX que no final dos anos 70 fizeram uma greve de fome de dez dias e obrigaram a temida ditadura do general Hugo Banzer a voltar atrás e libertar quase uma centena de trabalhadores mineiros, presos por lutarem por melhores salários. Dessa luta surgiu o Comitê de Donas de Casa da Mina Siglo XX e projetou a figura de Domitila em todo o mundo. Desde então, cumpriu um papel de destaque nas lutas pelos direitos das mulheres e participou como representante das trabalhadoras na Tribuna do Ano Internacional da Mulher reunida no México em 1975. Liderava as mulheres das minas na luta pelo controle do abastecimento das chamadas “pulperías”, os armazéns nos quais os mineiros compravam os alimentos. Domitila também ficou conhecida por falar na poderosa rede de rádios mineiras, chamando os trabalhadores e trabalhadoras a lutar por uma vida digna e contra os temidos coronéis e generais que dominavam o país.
Domitila nasceu na mina Siglo XX e foi criada em Pulacayo, lugar que ficou conhecido porque aí, na Revolução de 1952, na Bolívia, ficaram conhecidas as importantes teses trotskistas que chamavam os trabalhadores a organizar um governo operário e camponês como única alternativa para salvar o país da destruição provocada pelo capitalismo e o imperialismo. Até hoje, as lutas dos homens e mulheres trabalhadoras da Bolívia e de toda a América Latina demonstram que as famosas Teses de Pulacayo guardam sua total atualidade. Em 2005 Domitila denunciou a burguesia como uma classe “brutal, mentirosa e ladrona” e chamou os pobres a fazerem uma revolução porque “as injustiças não vão durar para sempre”. Também nesse mesmo ano ela saudou a vitória de Evo Morales e do MAS, mas colocou em dúvida seu caráter “revolucionário”.
O livro de Moema Viezzer, “Si me dejan hablar”, é uma importante fonte para se conhecer melhor a vida e as idéias de Domitila. Como Moema “la dejó hablar”, Domitila “rasgou o verbo”. Aqui vão algumas de suas opiniões: “Cedo aprendi que ao trabalhador não dão nenhuma comodidade. Que se vire sozinho. E pronto. No meu caso, por exemplo, trabalha meu marido, trabalho eu, faço meus filhos trabalharem, assim somos vários trabalhando para manter a casa. E mesmo assim ainda dizem que as mulheres não fazem nada, porque não dão dinheiro em casa, que só o marido trabalha porque ele recebe um salário. Apesar de o Estado não reconhecer o trabalho que fazemos em casa, dele se beneficia o país e os governos, porque por esse trabalho não recebemos nenhum pagamento.
“Nós, mulheres, fomos criadas desde o berço com a idéia de que a mulher foi feita somente para a cozinha e para cuidar das crianças, que é incapaz de fazer tarefas importantes, e não se pode permitir que se meta em política. Mas a necessidade nos fez mudar de vida.
“Nossa posição não é igual a das feministas. A nossa libertação consiste primeiramente em conseguir que nosso país seja liberado para sempre da opressão das grandes potências capitalistas e que possamos formar um governo da classe trabalhadora, incluindo nós, mas mulheres. Aí então as leis, a educação, tudo será feito de acordo com as necessidades do povo trabalhador. Então, sim, vamos ter mais condições de chegar a uma liberação completa, também e nossa condição de mulheres”. (Si me dejan hablar…)
morreu Domilita Barrios de Chungara
Nancy Cardoso Pereira/Sria de Educação do Rio Grande do Sul
Domilita Barrios de Chungara, que foi uma das mais importantes ativistas da Bolívia, faleceu no dia 7 de março em Cochabamba, na casa humilde em que viveu toda a sua vida. Domitila tinha 75 anos e morreu de câncer no pulmão. Ela foi a principal líder das donas de casa da mina de estanho Siglo XX que no final dos anos 70 fizeram uma greve de fome de dez dias e obrigaram a temida ditadura do general Hugo Banzer a voltar atrás e libertar quase uma centena de trabalhadores mineiros, presos por lutarem por melhores salários. Dessa luta surgiu o Comitê de Donas de Casa da Mina Siglo XX e projetou a figura de Domitila em todo o mundo. Desde então, cumpriu um papel de destaque nas lutas pelos direitos das mulheres e participou como representante das trabalhadoras na Tribuna do Ano Internacional da Mulher reunida no México em 1975. Liderava as mulheres das minas na luta pelo controle do abastecimento das chamadas “pulperías”, os armazéns nos quais os mineiros compravam os alimentos. Domitila também ficou conhecida por falar na poderosa rede de rádios mineiras, chamando os trabalhadores e trabalhadoras a lutar por uma vida digna e contra os temidos coronéis e generais que dominavam o país.
Domitila nasceu na mina Siglo XX e foi criada em Pulacayo, lugar que ficou conhecido porque aí, na Revolução de 1952, na Bolívia, ficaram conhecidas as importantes teses trotskistas que chamavam os trabalhadores a organizar um governo operário e camponês como única alternativa para salvar o país da destruição provocada pelo capitalismo e o imperialismo. Até hoje, as lutas dos homens e mulheres trabalhadoras da Bolívia e de toda a América Latina demonstram que as famosas Teses de Pulacayo guardam sua total atualidade. Em 2005 Domitila denunciou a burguesia como uma classe “brutal, mentirosa e ladrona” e chamou os pobres a fazerem uma revolução porque “as injustiças não vão durar para sempre”. Também nesse mesmo ano ela saudou a vitória de Evo Morales e do MAS, mas colocou em dúvida seu caráter “revolucionário”.
O livro de Moema Viezzer, “Si me dejan hablar”, é uma importante fonte para se conhecer melhor a vida e as idéias de Domitila. Como Moema “la dejó hablar”, Domitila “rasgou o verbo”. Aqui vão algumas de suas opiniões: “Cedo aprendi que ao trabalhador não dão nenhuma comodidade. Que se vire sozinho. E pronto. No meu caso, por exemplo, trabalha meu marido, trabalho eu, faço meus filhos trabalharem, assim somos vários trabalhando para manter a casa. E mesmo assim ainda dizem que as mulheres não fazem nada, porque não dão dinheiro em casa, que só o marido trabalha porque ele recebe um salário. Apesar de o Estado não reconhecer o trabalho que fazemos em casa, dele se beneficia o país e os governos, porque por esse trabalho não recebemos nenhum pagamento.
“Nós, mulheres, fomos criadas desde o berço com a idéia de que a mulher foi feita somente para a cozinha e para cuidar das crianças, que é incapaz de fazer tarefas importantes, e não se pode permitir que se meta em política. Mas a necessidade nos fez mudar de vida.
“Nossa posição não é igual a das feministas. A nossa libertação consiste primeiramente em conseguir que nosso país seja liberado para sempre da opressão das grandes potências capitalistas e que possamos formar um governo da classe trabalhadora, incluindo nós, mas mulheres. Aí então as leis, a educação, tudo será feito de acordo com as necessidades do povo trabalhador. Então, sim, vamos ter mais condições de chegar a uma liberação completa, também e nossa condição de mulheres”. (Si me dejan hablar…)
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Os que esperam no Senhor
"Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem como águia para os montes, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam." Isaías 40.31
Um paciente, internado por causa de anos de alcoolismo, passando a mão na região da barriga me disse: "Tenho um buraco enorme aqui que sempre tentei preencher, mas no dia seguinte lá estava ele, aberto e cada vez maior e insaciável."
Não basta afastar-se do que causa dependência, é preciso encontrar um alimento que seja capaz de preencher "esses buracos" existenciais e emocionais com novas e diferentes cores, sabores, prazeres e alegrias.
Só por hoje, lhe desejo a Paz e a Coragem necessárias para que consega o seu intento de se recuperar.
Um paciente, internado por causa de anos de alcoolismo, passando a mão na região da barriga me disse: "Tenho um buraco enorme aqui que sempre tentei preencher, mas no dia seguinte lá estava ele, aberto e cada vez maior e insaciável."
Não basta afastar-se do que causa dependência, é preciso encontrar um alimento que seja capaz de preencher "esses buracos" existenciais e emocionais com novas e diferentes cores, sabores, prazeres e alegrias.
Só por hoje, lhe desejo a Paz e a Coragem necessárias para que consega o seu intento de se recuperar.
Só por hoje vou lembrar que sou feliz
(Legião Urbana)
Só por hoje eu não quero mais chorar.
Só por hoje eu espero conseguir.
Aceitar o que passou o que virá.
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz.
Hoje já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer.
O mundo é radical.
Não sei onde estou indo.
Só sei que não estou perdido.
Aprendi a viver um dia de cada vez.
Só por hoje eu não vou me machucar.
Só por hoje eu não quero me esquecer.
Que há algumas pouco vinte quatro horas.
Quase joguei a minha vida inteira fora
Não não não não.
Viver é uma dádiva fatal!
No fim das contas ninguém sai vivo daqui mas -
Vamos com calma !
Só por hoje eu não quero mais chorar.
Só por hoje eu não vou me destruir.
Posso até ficar triste se eu quiser
É só por hoje, ao menos isso eu aprendi
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
A mudança neste blog se deve aos pedidos feitos por pacientes da clínica feminina do CPR - Centro Paulista de Recuperação, que participam do Grupo de Espiritualidade que coordeno duas vezes por mês em tardes de sábado.
Elas queriam continuar conversando sobre espiritualidade, também depois da alta, assim como fazem nossas reuniões. E assim nasceu a ideia de transformar esse blog num espaço de apoio para quem está começando o processo de alta - tempo de fazer novas escolhas, fechar algumas portas e abrir outras.
Estar de alta após algum tempo (curto ou longo) de internação, é nunca estar de alta, é sempre vigiar para não recair e orar pedindo a proteção e sustentação do Criador quando a tarefa de viver fora da Clínica ficar pesada demais.
Só por hoje... funciona.
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